21 dezembro 2007

Escadarias para o Céu

Ontem topei com esta página aqui onde fizeram uma compilação com 101 versões gravadas de Stairway to Heaven, do Led Zeppelin. Tem algumas muito boas, outras razoáveis, muitas ruins e várias engraçadíssimas (não perca a versão tirolesa). Num arroubo de insanidade baixei uma a uma, gravei um CD e fiquei ouvindo no carro.

Tirando todas as gozações que sofri por essa minha prosaica loucura, a experiência me revelou algo importante. Algo que quero passar a vocês, escritores e artistas em geral. Pode ser bobagem, mas é inegável a contribuição cultural que uma única música pode ter realizado. Sinceramente nem considero essa a melhor música do Zeppelin, mas de longe é a mais icônica (tanto que Robert Plant por muitos anos se recusou a cantá-la argumentando que não lembrava a letra, demonstrando o quanto estava enfastiado com a referência). É a música que imortalizou a banda, que a tornou o bastião que ela é hoje. E será assim por muito tempo ainda.

É isso que nós, pretensos artistas, devemos almejar com nossa criação. Devemos sempre querer não apenas refletir nossos egos em nossas obras. Temos que refletir o ego geral, o ego mundial. Temos que fazer a coisa toda funcionar através de nossas intervenções. Fazer as pessoas não só assimilarem, mas criarem em cima. Devemos ser originais, buscando sempre a perfeição e aquele momento marcante que nos imortalizará por toda a história.

Como eu já disse diversas vezes, escrever não é fácil. Se deseja mesmo trilhar este caminho, não o faça querendo apenas migalhas. Ou vá para as cabeças ou nem comece. Não imite, copie ou chupinhe outros artistas. Por mais que algumas versões da música sejam interessantes, elas nunca chegarão ao pés da original. Simplesmente porque ela FOI original. Ponto.

Ou você acha que uma maluca cantando a música em ritmo tirolês será o que ficará para a história?

18 dezembro 2007

Lição insone

"É assim que as histórias assustadoras funcionam, ecoando algum temor antigo. Recriando um pavor esquecido. Algo que preferimos achar que já superamos. Mas que ainda nos pode fazer chorar de terror. Algo que já tínhamos esperança de ver curado."
Trecho de "Assombro", de Chuck Palahniuk

17 dezembro 2007

"A gente senta e escreve"


É isso que eu normalmente respondo quando me fazem a reincidente pergunta: "E como é que você faz para escrever?". É isso. Simples assim. Não tem mágica, vodu, macumba ou pactos satânicos envolvendo o sangue de doze unicórnios virgens. Senta e escreve. Viu? Fácil.

Então, Alexandre Heredia, escritor, por que você não...

SENTA

e

ESCREVE?

05 dezembro 2007

Noite de Autógrafos: Theatro dos Vampiros

Quem não teve oportunidade de comparecer ao concorridíssimo lançamento de "O Legado de Bathory" e quer ainda este ano ter em mãos um exemplar autografado, terá mais uma chance.

Dia 8/12 (sábado) estarei no Theatro dos Vampiros, uma festa já tradicional que ocorrerá no Fofinho Rock Bar, autografando livros. Além de, claro, muita dicotecagem e bandas a noite inteira. Venham, apareçam pra tomar umas doses e conversar. Garanto que vai ser um barato.

Seguem as coordenadas:

Theatro dos Vampiros
dia 8/12/2007 - das 23 às 6hs

Local: Fofinho Rock Bar
Av. Celso Garcia, 2728
[próximo ao metrô Belém]
http://www.fofinhorockbar.com.br
Preços: R$ 10,00 (c/ flyer) e R$ 13,00 (s/ flyer)

Maiores informações: http://eventogotico.nafoto.net/

Vejo vocês lá!

30 novembro 2007

FOI UM SUCESSO!


É hora daquele texto imenso a respeito do lançamento. Peço desculpas antecipadamente pela demora, mas estava esperando as fotos chegarem (nunca sou eu quem as faz, obviamente), além de uma falta de tempo quase crônica em minha vida. Mas divago.

O lançamento foi além de minhas expectativas. Sério. Nas horas que antecederam o evento lá no Santa Zoé eu estava com os nervos em frangalhos. Não que fosse uma experiência completamente nova para mim, nada disso. Era o quarto livro que eu lançava em dois anos. Mas este tinha um diferencial importante: era só meu. Eu não mais dividia a autoria com outros. Era o meu nome que estava na reta. Era a minha responsabilidade que o lançamento fosse um sucesso.

Felizmente minhas dúvidas e temores se dissiparam bem rápido, visto que os primeiros convidados começaram a chegar antes mesmo da hora marcada. Em poucos minutos o salão vazio nos fundos do bar ficou lotado, deixando eu e os garçons em autêntica polvorosa. Mas minha alegria era maior que quaisquer preocupações imediatas. Lá estavam meus parentes, amigos, colegas e leitores, todos prestigiando mais esta maluquice minha. Tudo num clima extremamente informal e agradável, como devem ser todas as reuniões de amigos.

Sim, as vendas foram bastante boas, mas confesso que naquele momento era o que menos me preocupava. Queria que todos ficassem bem a vontade, que se divertissem, que participassem comigo desta nova etapa. E tudo correu muito bem. Tão bem que ainda tinha gente no bar às 2 da manhã, quando fomos discretamente expulsos pelos garçons.

Sobre o livro: eu o vi completamente acabado pela primeira vez naquela noite e confesso que foi uma sensação bizarra. Não sei quantos sabem disso, mas este livro tomou três anos de minha vida em sua realização, dois deles apenas com pesquisa histórica e coleta de materiais (que são suficientes pra escrever mais uns dois livros!). E como todo autor desconhecido, penei um bocado para vê-lo publicado. E lá estava ele, em minhas mãos, lindo, lindo. Mais lindo que eu poderia imaginar. Agradeço imensamente à editora Multifoco pelo apuro gráfico e pelo acabamento de primeira que deram ao livro. Espero que as vendas correspondam a todo o trabalho que vocês tiveram com ele.

Devo agradecer também a todos os amigos que compareceram e prestigiaram meu lançamento. A presença de vocês é que tornou o evento o sucesso que foi. A vocês meu muito obrigado. De todo coração.

E que venham os próximos!

PS1: Diversas pessoas já entraram em contato pedindo informações de como podem adquirir o livro. A editora está ainda em negociações com as livrarias e assim que tiver novidades eu aviso aqui. Mas caso estejam muito curiosos é possível adquiri-lo através do site da editora (o sistema de compras online entrará no ar, de acordo com eles, na primeira quinzena de dezembro) ou mesmo comigo, via email.

PS2: O site da editora Multifoco passou por uma remodelagem recentemente. Agora além de uma página de meu livro (na seção Catálogo), também está lá um breve perfil meu. Visitem.

PS3: As fotos do lançamento foram feitas por minha fotógrafa oficial, Carmen Mirandinha. Valeu por mais essa, Carmen!

21 novembro 2007

Auto-entrevista comigo mesmo

Quando terminei de escrever O Legado de Bathory comecei a longa peregrinação atrás de uma editora. Eu já tinha experiência anterior no assunto, visto que havia sido sumariamente recusado por diversas editoras quando tentei publicar um outro romance (mais sobre ele, espero, em breve). Sabia que não adiantava nada tentar novamente pelos caminhos tradicionais. Eu já não era mais um autor inédito, tinha um certo currículo a valorizar. Eu já não era um famigerado "novo autor" mendigando atenção.

Mas eu também sabia que eu não era TÃO conhecido como gostaria. Precisava mostrar aos editores quem eu era, e que estava nessa a sério. Como fazer isso?

Simples. Caprichei na carta de apresentação.

Fica aqui uma dica aos autores que estão batalhando uma publicação: caprichem MESMO na carta de apresentação. Esqueçam os templates morféticos do Word. Esqueçam cartas formais. Sejam criativos. É a hora de chamar a atenção, de se diferenciar na pilha. No meu caso fiz um folder, com se fosse uma revista, com capa, matéria a respeito do livro, introdução histórica (veja post abaixo) e, claro, uma entrevista com o autor. Deu certo. Sendo assim transcrevo essa "entrevista" apenas como título de curiosidade.


De onde surgiu a inspiração para o livro?
Alexandre Heredia: Durante a pesquisa para outro livro, me deparei por acaso com a história da Condessa Sanguinária, e posso dizer que foi um caso de fascinação à primeira vista. Passei mais de dois anos compilando tudo o que era possível a seu respeito, até que me deparei com um dilema: como recontar sua história de uma maneira completamente original e mesmo assim ser fiel aos fatos? Pois há dezenas de livros biográficos lançados, e eu não queria partir para o mesmo caminho. Foi aí que surgiu a idéia de utilizar o material que pesquisei como um artifício literário em uma história completamente independente.

E por que ambientar a história em 1938? Há alguma relação deste ano específico na história da condessa?
AH:
Com certeza! Foi nesta época que os primeiros livros a seu respeito foram lançados, principalmente na Hungria e Tchecoslováquia. Mesmo assim, isso nem precisaria ser algo decisivo na escolha, podendo a história se passar até mesmo em tempos atuais. Mas assim que comecei a rascunhar a trama, percebi que, caso se passasse nos dias atuais, muito do charme da história se diluiria em uma pesquisa fria e impessoal, com acesso a informações online ao invés de obrigar os personagens a irem atrás de seus objetivos pessoalmente. Além disso, aquela época foi conhecida pela explosão de expedições arqueológicas, muitas delas as mais importantes da história recente, e eu queria transmitir esse tipo de sensação, como numa viagem no tempo, na qual as pessoas precisavam realmente colocar a mão na massa e sujar o avental caso quisessem algum resultado. É, em última análise, quase uma homenagem aos caçadores de tesouros que desenterraram muitos dos artefatos arqueológicos que hoje vemos nos museus pelo mundo. Além disso, o fato de aquela região ser praticamente uma panela de pressão política naquela época, com os primeiros avanços de Hitler e crises internas que dividiam a população entre o medo e o apoio à onda nazista, ajudou a dar mais um grau de dramaticidade à história.

Qual foi seu objetivo ao escrever o livro?
AH: Meu real objetivo ao escrever foi reacender o debate, já que a Condessa Bathory vem se transformando cada vez mais em uma figura quase mística, cercada de crendices e conceitos falaciosos que, graças à internet, proliferaram-se e tomaram proporções quase épicas. Não há realmente provas de que a Condessa cometeu ou não as atrocidades pelas quais é responsabilizada. Cabe ao leitor tomar sua decisão. Eu apenas forneço os argumentos.

Sua trama termina com um gancho bastante claro. É sua intenção escrever uma continuação?
AH: Quem sabe? (risos).

(Não se esqueceram, né? O lançamento é AMANHÃ, lá no Santa Zoé, a partir das 20hs. Conto com a presença de todos por lá!)

20 novembro 2007

Quem foi Elisabeth Bathory?

Esta é uma pergunta que desde que comecei a divulgar o lançamento tive que responder algumas vezes, visto que, por mais conhecida que seja a Condessa Sanguinária, ela ainda não tem o status de mito pop. Para tentar sanar isso, segue abaixo um breve resumo da figura que inspirou meu romance:

Nascida em 1560 na Hungria, a Condessa Elisabeth Bathory foi uma das figuras mais controversas de sua época, graças aos seus hábitos peculiares no que dizia respeito ao tratamento de suas criadas. De educação avançada para seu tempo, Elisabeth se sobressaiu num mundo puramente machista e até hoje é considerada como um símbolo do feminismo. Fluente em alemão, eslovaco e grego numa época em que poucas pessoas sabiam ler ou escrever em sua própria língua nativa, ela tinha temperamento forte e personalidade marcante, a ponto de repelir uma invasão turca à sua propriedade em Csejthe (atualmente na Eslováquia).

Mas sua fama se deve principalmente ao fato de ela ter o estranho hábito de torturar cruelmente suas jovens criadas. Relatos diferentes atribuem a ela diversas atrocidades, cruéis até mesmo para os padrões da época. Os reais motivos das torturas são misteriosos, variando desde o puro sadismo até uma obsessão estética, que supostamente a teria levado até a banhar-se no sangue de suas vítimas com o intuito de manter-se sempre jovem. Estas alegações nunca foram realmente provadas, mas ainda assim a condessa foi condenada a passar o resto da vida encarcerada em um aposento de seu castelo, onde faleceu três anos depois, em 1614. Após sua morte, seu nome foi declarado proibido por toda a Hungria pelo rei Mathias d'Habsburgo, e esta situação se estendeu por mais de cem anos, até que, em 1744, o monge Laszlo Turoczi, ao escrever a história dos reis da Hungria, dedicou um capítulo inteiro à vida da “Tigresa de Csejthe”, retirando-a de vez da obscuridade.

Desde então, dezenas de autores elaboraram trabalhos fictícios e biográficos sobre a condessa, a maioria deles restrito aos povos húngaro e eslovaco. Até que, na década de 60, duas escritoras, a francesa Valentine Penrose e a Argentina Alejandra Pizarnik, popularizaram a história da condessa em seus livros. No auge da Era de Aquário, a condessa se torna a protagonista de best sellers traduzidos para várias línguas.

Hoje, grande parte do mito sobre a Condessa Sanguinária sobrevive com admirável força, tanto nos meios acadêmicos e literários quanto na Internet, onde uma busca por seu nome no Google oferece mais de um milhão de resultados.

(Mais, só lendo o livro! Espero vocês no lançamento!)

14 novembro 2007

Convite para o lançamento


É isso aí.

Você que é leitor, amigo, colega, conhecido, ouviu falar, nunca ouviu falar, não quer nem saber, sei lá, mil coisas, etc. TEM que comparecer ao lançamento de meu novo livro, O Legado de Bathory.

Não, não tem desculpas. Mesmo.

Seguem os detalhes no press release (chique, né?):

Editora Multifoco lança

O Legado de Bathory

de Alexandre Heredia

Dia 22 de novembro, às 20 horas

Santa Zoé

(R. Cotoxó, 522 - Perdizes - São Paulo)

www.santazoe.com.br
Fone: (11) 3868-3303

Em O Legado de Bathory, Alexandre Heredia utiliza a história da Condessa Elisabeth Bathory como pano de fundo para um romance fictício que se passa na Europa pré- Segunda Guerra Mundial. O autor não deturpa a memória da condessa, nem apela para artifícios místicos. O que ele busca com este artifício é lançar luz sobre o mito, modernizando-o e derrubando estereótipos num romance ágil e envolvente, que prende o leitor do início ao fim. O processo de pesquisa e planejamento para o livro tomou mais de dois anos, durante os quais o autor leu quase tudo referente à vida da condessa Bathory, desde mitos e romances até documentos históricos, para que fosse possível traçar sua trama de maneira coerente e verossímil. Dessa forma, utilizou-se tanto de fatos verdadeiros como de artifícios e licenças poéticas, que tornam seu romance mais saboroso. Ao final, o leitor sente que foi presenteado não só com uma empolgante aventura cheia de tensão e suspense como também com um conteúdo sério sobre uma das figuras mais misteriosas do folclore europeu: Elisabeth Bathory, a Condessa Sanguinária.


O Autor

Alexandre Heredia reside em São Paulo, capital, e é escritor há mais de dez anos. Foi co-editor do NecroZine , um zine voltado à disseminação da literatura brasileira de suspense e terror. Este projeto cresceu e gerou o livro Necrópole – Histórias de Vampiros, lançado pela Editora Alaúde em outubro de 2005, que Alexandre ajudou a organizar e do qual participa com um conto. O volume 2 da coleção, Necrópole - Histórias de Fantasmas foi lançado durante a Bienal do Livro de São Paulo em abril de 2006. Em dezembro do mesmo ano participou da coletânea Visões de São Paulo - Ensaios Urbanos, pela Tarja Editorial. Criou também o blog Memórias de um Psicopata Enrustido, cujo personagem principal, Zebedeu, narra suas agruras da vida cotidiana para seu terapeuta.



O Legado de Bathory

Editora Multifoco

Autor: Alexandre Heredia

Estilo: Romance Histórico/Suspense

Nº de Páginas: 170 (formato 14x21)

Público Alvo: Jovem/Maduro

Contato com o autor:
Fone:
(11) 8136-3206
Email:
alexandre.heredia@gmail.com

(Quero ver todo mundo lá, hein? Sem falta!)

08 novembro 2007

Água mole em pedra dura

Para aqueles que acompanham minha carreira literária não é novidade alguma que desde o princípio meu objetivo era lançar um romance de minha autoria por uma editora comercial. Nunca escondi esse foco que eu tinha para minha carreira, e foi graças a ele que eu acabei conhecendo grande parte dos meus "amigos-em-letras". Sim, nos idos de 2004 eu terminei a realização de meu primeiro romance "maduro" e com ele em mãos comecei a árdua tarefa de vê-lo publicado.

Não vem ao caso narrar cada uma das frustrações deste processo, pois realmente não é o fator determinante desta história. Mas foi durante essa peregrinação que conheci aqueles que seriam, junto comigo, os criadores e co-editores do NecroZine. Foi aí que tudo realmente começou. Abandonei os originais de meu romance e me dediquei a outra tarefa: criar um nome reconhecível no meio.

Depois do NecroZine vieram os dois volumes da Coleção Necrópole. Foram eles os primeiros passos realmente firmes, que cimentaram meu objetivo. Depois disso ainda veio o Visões de São Paulo. E, se tudo continuar no ritmo que está, participarei de outras coletâneas de contos ainda. Algumas (sim, no plural) provavelmente ainda em 2008.

Mas nada disso realmente eu posso considerar como a realização definitiva de meu objetivo. Foram marcos importantíssimos na minha vida e carreira, é claro, e dos quais me orgulho muito. Mas ao mesmo tempo não era uma vitória apenas minha, do começo ao fim. Eu estava junto com outros talentosos autores, e mesmo isso me deixando extremamente satisfeito, não posso dizer que completamente realizado.

Até agora.

Pois é, gente, agora é oficial. Meu primeiro romance finalmente será publicado. E o lançamento será nos próximos dias! Desculpem não ter avisado antes, mas mesmo sendo um desgraçado de um cético descrente, não queria correr o risco de ver tudo ir por água abaixo apenas por conta de minha afobação.

O livro se chama "O Legado de Bathory", e será lançado pela editora Multifoco. Segue abaixo uma breve sinopse:

Budapeste, 1938. A ameaça de uma nova Grande Guerra paira sobre toda a Europa, que acompanha atenta os primeiros avanços de Hitler. Neste cenário conturbado, Yara Ladányi vem do Brasil para o funeral de seu pai, assassinado brutalmente em sua casa em Budapeste. Suspeitando que a morte de seu pai teria motivações misteriosas, ela inicia uma investigação independente, tendo por base um documento antigo enviado a ela por seu pai pouco antes de seu assassinato.

Contando com a ajuda de Laszlo Raduczi, professor de História e genealogista, Yara embarca numa trama de conspiração e morte, na qual a dupla é perseguida continuamente por uma figura assustadora. Enquanto isso, desvendam o estranho documento que os leva a uma exploração da história da infame Condessa Elisabeth Bathory.

E, claro, a capa do livro:


Estou fechando os últimos detalhes do lançamento. Podem deixar que aviso quando e onde assim que eu mesmo souber.

E, me desculpem, mas estou feliz pra cacete!

Espero vocês no dia do lançamento!

29 outubro 2007

Novidades à vista

Pois é, pessoal, depois de muito trabalho, muitas desculpas para não colocar textos por aqui ou por lá, finalmente há frutos a serem colhidos.

Claro que ainda não é hora, pois frutos verdes azedam rápido, então aguardem com um pouco mais de paciência. Nos próximos dias grandes novidades surgirão.

Mas uma coisa já posso dizer: está ficando lindão!

(Começa a contagem regressiva!)

23 outubro 2007

Et tu, Dumbledore?

Não tenho realmente nada a dizer a este respeito. Pouco me interessa se o Gandal... Merl... Dumbledore é gay. Cada mago deve ter o direito de enfiar sua varinha onde bem entender, desde que não envolva terceiros ou que estes gostem, bem entendido.

Mas a imagem mais divertida dessa "polêmica" é esta aqui:

"Kibado" daqui.

Agora, meninos e meninas, mudemos de assunto.

E de livros, por favor.

17 outubro 2007

Esboço de História

João virou Juan, para o espanto de toda a turma da rua. Naturalizou-se argentino. Justo o João, o melhor goleiro da rua? Não era possível.

Culpa do pai, que fora transferido. Claro que isso não pressupunha uma naturalização. Por isso a surpresa de todos. Justo o João, que era o que mais xingava os hermanos nos Brasil contra Argentina?

Mas as surpresas não pararam aí. João, agora Juan, em pouco tempo se profissionalizou. E em futebol. Era destaque nas categorias de base. Quando ele estava no gol nada conseguia passar. Tinha os reflexos de um leopardo. Um goleiraço. Em pouco tempo já era o goleiro titular do Boca Juniors. Do Boca! Justo o João, sãopaulino roxo?

E ficou pior. Jo... Juan foi convocado para a seleção argentina. Alguns amistosos depois e seu nome já era dito com temor pelas ruas. Traidor. Vira-casacas. Desgraçado. Precisava ser tão bom? Tinha que ser brasileiro mesmo...

Juan arrepia nas eliminatórias. Graças a ele a Argentina se classifica com a defesa menos vazada da história. Vão para a Copa. Favoritíssimos.

Primeira fase invicta. E sem gols. Aproveitamento total. Oitavas, quartas idem. Goleiam na semifinal. Juan está na final. E contra o Brasil.

Suspense absoluto. Justo o João, pô?

O jogo é acirrado. Ambas as equipes jogam como nunca. É uma partida histórica. De ambos os lados. Tanto que termina empatada. Sem gols.

A batalha continua na prorrogação. Juan faz duas defesas magníficas. Bolas praticamente indefensáveis. Desgraçado. Vira-casacas. Traidor.

O pior pesadelo então se concretiza. Pênaltis.

Juan defende dois. Os argentinos desperdiçam outros dois. Juan não consegue defender um, mas felizmente para ele seu atacante não havia decepcionado antes. Mas o outro erra. Feio. Juan defende mais um, quase sem querer. Cai de forma estranha. Parece machucado. Argentinos de cabelo em pé (o que deve se assemelhar a uma floresta de pinheiros sujos de piche). Toma essa, João! Traidor! Quatro pênaltis batidos por cada equipe, mas o empate persiste. Os brasileiros deliram quando seu goleiro, tão desacreditado, tão humilhado pela mídia, defende o quinto pênalti. Está nas mãos de Juan agora. Se ele defender a Argentina terá mais uma chance. Se não...

Ele não defende.

Aliás foi um frango tão medonho que o video virou em poucas horas o viral mais assistido da internet. Humilhante. Uma bola que até minha avó esclerosada e com parkinson pegaria. A Argentina perde a final. E para o Brasil.

Mas logo em seguida a multidão se espanta. Juan se ergue com um imenso sorriso no rosto. Lágrimas escorrem de sua face. As mãos cerradas são erguidas sobre a cabeça. Ele corre em direção aos brasileiros. Comemora junto com eles o campeonato. É o que mais grita, o que mais chora. Não recebe medalha, mas consegue beijar a taça. E dar a volta olímpica. Juan era João novamente.

E havia conseguido.

12 outubro 2007

O Brilho Eterno de uma Mente Plagiada

Eu sempre fui um desenhista razoável. Desde pequeno. Cheguei a ganhar alguns prêmios em concursos amadores. Talvez com mais empenho e dedicação hoje eu vivesse disso. Talvez. Mas não importa. Não mesmo. Não mais.

Quando eu estava no colégio meus colegas de classe sempre me pediam para desenhar caricaturas. De quem quer que fosse. E eu fazia, talvez na vã esperança de que aquele dom ajudasse de alguma forma em minha escalada social pré-adolescente. Claro que não deu certo. Baixinho, fracote, asmático, míope e meio corcunda, que preferia ler a jogar futebol? É de me admirar que algum dia eu tenha perdido a virgindade.

Mas as caricaturas fizeram sucesso. Todo ano eu era o responsável por fazer um desenho com a caricatura de todos os alunos e professores. Esse hábito sobreviveu até o cursinho, mas daquela vez eu fiz a caricatura da Turma do Sala 26. E "Sala 26" não era uma sala de aula, pode acreditar.
Onde estávamos mesmo? Ah, sim: um escritor meio chapado despejando reminiscências inúteis numa sexta feira à noite. Um brinde!

Esse meu dom em caricaturas me fez a escolha óbvia para ilustrar uma camiseta que seria usada pela equipe de uma gincana no colegial. O tema imposto? AIDS. Releve o fato que naquela época testemunhávamos o princípio da "terceira onda", quando ainda chamávamos o pessoal do Greenpeace de heróis, não eco-terroristas. E também era a era do pânico da AIDS.

Tarefa dura. Um autêntico desafio.

E eu adoro ser desafiado.

Desenhei a camiseta. Bolei uma série de espermatozóides engraçadinhos e os coloquei perseguindo um óvulo de cinta-liga com o vírus da AIDS sorrindo malevolamente em seu ombro. O desenho e a camiseta se perderam no tempo, mas recordo-me bem de cada um, que representavam cada um de meus colegas. Tinha o Apressadinho. O Perdido. O Cabeludo (eu). O Retardado. O Negro (perdido naquela "porra branca", que na época era de algum modo uma piada). E tinha o Desencanado. Era um desenho bem simples, de um espermatozóide com óculos escuros. Só isso. Era o menos aparente do grupo, mas de longe o mais icônico. Fizemos várias camisetas e distribuímos. Não lembro quantas. Mas muitas. E ganhamos a prova.
E em seguida esquecemos.

Um ano depois meu pai foi à Espanha fazer o Caminho de Santiago (é, eu sei...). Quando voltou, além de um entorse no tornozelo e uma réplica de uma espada medieval, ele trouxe uma foto. Havia encontrado um rapaz usando uma camiseta com o Desencanado estampado, mas renomeado como "Sperminator" (ele perdeu o ar desencanado...). Sério. Na Espanha. Isso mesmo. Eu havia sofrido meu primeiro plágio.

Momento de Definição: Por plágio eu considero alguém usar algo que eu criei para obter lucro e não dividir comigo. Usar um texto meu no seu perfil do Orkut e não colocar os devidos créditos não é plágio. É patético.

Voltando. Logo depois de ter criado o Sper... Desencanado um colega meu me disse que havia um concurso de desenho que uma empresa estava promovendo com o intuito de criar o novo logotipo. Legal. Rascunhei um esboço simples, mostrei pro cara, ele curtiu, pediu pra que eu fizesse um layout. Me inscrevi no concurso, fiz o layout, mandei e esperei o resultado. E ele veio. Não havia vencedores. O concurso foi cancelado. Rasguei a ficha de inscrição e segui em frente.

Já dá pra prever o resultado? Desculpem. Já fui melhor nisso. E eu REALMENTE estou um tanto chapado demais pra escrever. Mas vamos ver no que isso vai dar.

Dessa vez demorou um pouco mais para eu descobrir o plágio. Alguns anos, na verdade. Mas pulou na minha cara durante um passeio num shopping. É, eu também faço isso de vez em quando. Mas o fato é que estava lá, estampado num daqueles stands de vendas no corredor. E não era apenas o logo da empresa que havia me plagiado. Era o logo da MATRIZ INTERNACIONAL da empresa. Ou seja, esta empresa (que não, não vou citar o nome por absoluta ausência de provas) usou uma arte ROUBADA como símbolo dela NO MUNDO INTEIRO? Péssima propaganda, não?

Segundo plágio. Será que essa história tem algum objetivo? Espero que sim.

Há algumas semanas tive mais um caso. Vou ser rápido pois não quero ser mal compreendido. Prontos?

Fui plagiado por Stephen King.

Ainda aqui? Então vamos lá...

Não sei até que ponto um escritor e sucesso lá da Gringolândia presta atenção à criação literária terceiro mundista, nem se ele sabe ler em português, mas independente de qualquer coisa as coincidências são muitas para serem assim consideradas. Não vou me alongar. Desta vez eu tenho evidências para vocês. Comparem este meu conto com o episódio "Autopsy number four", da série "Nightmares&Dreamscapes" (passa no Warner Channel, mas eu sei que você vai procurar em outro lugar) e tirem suas próprias conclusões.

Não eu não vou processar o Stephen King. Sério. Que chances eu tenho? Vamos seguir em frente.

Engraçado que a mesma Warner Channel agora decidiu me aprontar mais uma. A chamada da nova série era forte demais para eu resistir. Eu conhecia aquela história. Ah, se conhecia. O nome da série? Californication. Com David Duchovni. É, o Fox Mulder. Não enche.

Fui atrás e baixei o episódio piloto. Eu PRECISAVA ver aquilo antes da estréia aqui no Brasil. Assisti. Duas vezes. Levei aproximadamente trinta minutos para voltar a pensar. Aquela série era tão parecida com minha vida misturada à do Zebedeu que me deu pânico! Como é que podia? Plagiar meus textos era uma coisa, mas plagiar minha vida era algo insólito demais para ser verdade. Especialmente para um escritor ateu e cético como eu. Não era possível.

Mas sabe o pior? A série é boa. Ótima. Seria algo que eu gostaria de ter escrito, dirigido da maneira que eu queria ver dirigido. Era como se eu realmente a TIVESSE escrito, tamanha a semelhança em tema e enredo. Já baixei mais 5 episódios e vou baixar o resto. É boa pra cacete. Juro. Pode assistir sem medo.

Não, a Warner não me subornou para que eu dissesse isso. Mas aceito, caso seja necessário. Sim, eu sou uma puta fulambenta. Me deixa!
Vejam o trailer:

Onde quero chegar com tudo isso? A lugar nenhum. Mas achei que era uma coisa interessante para compartilhar, qualquer significado isso tenha.

Boa noite.
E boa sorte.

06 setembro 2007

De volta à programação normal

Pois é, gente, estou voltando. Ainda aos poucos, pois os escombros da mudança ainda entulham os espaços úteis, mas é aos poucos que a gente vai longe. Ou não. Foda-se.

A principal novidade (até o momento) é que finalmente troquei de emprego. É isso aí. Acabaram os bloqueios castrantes. Ao menos na internet. Chega de postar via emeio. Chega de se limitar a 0,0001% da informação. Eu quero é saber de putarias, baixarias e transgressões. São essas as coisas que tornaram a internet o que ela é hoje. A partir de agora volto a blogar em paz. Não sei até quando, mas enquanto der estou curtindo.

(Se alguém quiser saber para onde fui, é só cutucar o rato aqui em cima.)

Mas nesse retorno decidi que uma coisa vai mudar, tanto aqui quanto lá no Psicopata Enrustido: a partir de agora só pôstes curtos. Nada de textos imensos, gigantes, morféticos e que vocês (sim, VOCÊS MESMO!) só lêem a metade (e mesmo assim opinam). Coisa rápida. Pá, pum, acabou.

E por hoje chega.

13 agosto 2007

Literatura (inter)Dependente

E aí, qual é a melhor saída para o escritor iniciante aqui nestas terras
tupinambás? Será bater de porta em porta em editoras que normalmente os
ignoram? Será publicar por conta própria, vendendo carro, apartamento e
passando fome? Ou será que é disponibilizar o trabalho de graça na
internet?

O assunto já deu pano pra manga pela blogosfera. A Olivia Maia
(http://www.verbeat.org/blogs/forsit), que já lançou um livro por uma
editora grande (http://www.editorabrasiliense.com.br), deixou sua opinião e
destilou sua frustração em um pôste em seu blogue
(http://www.verbeat.org/blogs/forsit/arquivos/012009.html) e em uma
entrevista para o Digestivo Cultural
(http://www.digestivocultural.com/blog/post.asp?codigo=1542). O Biajoni
(http://www.verbeat.org/blogs/biajoni/), que disponibilizou seu primeiro
livro de graça em PDF e lançou o segundo por uma editora independente
também deu seus pitacos a respeito. O Branco Leone, que é editor d'Os
Viralata (http://www.osviralata.com.br/), também
(http://brancoleone.wordpress.com/2007/08/02/eu-sou-baixinho/). Assim como
o Valter Ferraz
(http://outrasestorias1.blogspot.com/2007/08/uma-discusso-interessante.html).
Enfim, a discussão está aberta.

O ponto é simples: Vale a pena publicar "formalmente" no Brasil?

Há diversas maneiras de analisar isso. Como tenho alguma experiência no
assunto vou deixar minha singela opinião.

Em primeiro lugar faço questão de descartar completamente a produção por
conta própria, nas famigeradas editoras "sob demanda". Se quer saber meus
motivos leia este pôste aqui:
http://gardenalcomfantauva.blogspot.com/2006/11/quer-pagar-quanto.html

Já disponibilizar seu trabalho de graça na internet eu considero uma saída
interessante. Corajosa até. Claro, há o risco de você ver sua chance de um
sucesso financeiro ser jogada pelo ralo em nome de uma atitude "rebelde" e
"transgressora". Mas é uma saída. Aliás foi essa uma das maneira que
encontrei para sair do anonimato literário. Quem acompanha minha carreira
sabe que tudo começou com uma publicação independente e gratuita, o hoje
finado NecroZine (http://necrozine.blogspot.com). Graças à base de leitores
angariada com essa iniciativa tivemos o suporte de uma editora para o
lançamento da Coleção Necrópole (http://www.necropole.com.br), que está a
caminho de seu terceiro volume.

Agora você me pergunta: o que valeu mais a pena, o zine ou o livro? Não há
como dissociar um do outro. O zine foi um sucesso. Seu último número teve
uma tiragem esgotada de 2.000 exemplares. Isso sem contar os downloads dos
PDF's. O livro também foi um sucesso editorial. Vendemos no Brasil inteiro.
Houve algum bafafá na mídia. Nada explosivo, mas o suficiente para valer a
pena todo o trabalho (que não foi pouco, acreditem).

Claro que monetariamente falando este sucesso não foi tão grande. Não deu
pra abandonar o emprego. Aliás, nem pra comprar muita coisa, pra falar a
verdade. No máximo pagar algumas dívidas antigas. Mas nenhum dos autores
passou fome por conta do livro, muito pelo contrário. E fomos lidos.
Bastante.

Então, qual vantagem Maria leva? Se não encheu o bolso de dindin, por que
perder tempo? Não é mais fácil simplesmente jogar na internet? Não gasta,
não ganha e é lido. Tudo resolvido, não é?

Quase. Por mais que me doa assumir isso, o livro "físico" possui uma
vantagem que o "digital" ainda não tem:

Credibilidade.

Os autores "independentes" podem me apedrejar agora. Com todo o direito.
Mas eu explico.

Não tem jeito, pessoal. Livro na estante da livraria tem outro status. O
autor não é mais um bolchevique anarquista escavando romanticamente
trincheiras na periferia do mercado. Ele se torna um Autor (com "A"
maiúsculo mesmo). Ele tem o aval de uma empresa que, no final das contas,
viu em seu trabalho uma chance de lucro. É como um "selo de qualidade" que,
por mais triste que essa constatação seja, os leitore/consumidores
valorizam. O cabra vai ter que botar a mão no bolso pra ler o seu trabalho,
não vai simplesmente baixá-lo, guardar num canto obscuro do agadê e
esquecer. Se ele comprar vai ler. E não vai ler por obrigação de amizade.
Vai ler porque (pasmem!) ele se interessou pelo assunto abordado.

Assim, minha opinião a respeito das editoras tradicionais é a mesma da TV
por assinatura: ruim com elas, muito pior sem elas.

Doa a quem doer.

O que nós autores temos que perceber de uma vez é que não é o caso de
escolher entre uma mídia e outra. A resposta está em somar as vantagens de
ambas em benefício próprio. Pela primeira vez na histórioa os escritores
tem disponível uma janela imensa para expor seus trabalhos, ser notado. Mas
não dá pra ignorar o mercado antigo, do papel e tinta. Isso pode mudar no
futuro (e eu espero que mude!), mas não dá pra viver de romantismo. O bom
idealista é o que sabe que para se ir de A para B é preciso muito trabalho.
Não adianta querer revolucionar do mesmo modo que se tira um bandêide. Como
disse o personagem de Billy Crystal em "Meu Querido Bob": passinhos de
bêbê.

Com paciência a gente chega lá.

P.S.: Os linques desse texto estão entre parênteses pois estou enviando
essa mensagem via emeio. Mas prometo que este empecilho será resolvido
muito em breve.

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02 agosto 2007

Eu estou bem. Obrigado pela preocupação.

Pessoal,

recebi recentemente alguns emails de pessoas preocupadas com minha saúde após o grave acidente que supostamente sofri em Cascavel no último dia 27/07. A princípio não compreendi, pois que eu saiba NUNCA fui a Cascavel e, pelo que tenho notícia, não me envolvi em nenhum acidente grave de trânsito. O mistério só foi elucidado após uma simples busca no Google.

Era um homônimo.

Ufa! Pensei que já estava ficando esquizofrênico!

Gente, caso vocês cheguem aqui atrás de notícias a respeito de minha saúde, saibam que estou bem, saudável (mais ou menos) e que não era eu o acidentado. Desejo força a meu homônimo em sua recuperação, mas respiro aliviado por não ter sido eu desta vez.

Ah, as notícias sobre o acidente (que divergem no modelo do carro) estão aqui, aqui, aqui e aqui.

23 julho 2007

Teste

Só para ver se essa porcaria de envio por email funciona.

(Embedded image moved to file: pic05097.jpg)


Se não aparecer a foto, sinta-se um(a) felizardo(a).

Se apareceu, babau, negão...


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21 julho 2007

Desculpas Rotas e Esfarrapadas

Mais uma vez venho aqui cheio de dedos explicar uma ausência inexplicável, tanto aqui quanto lá no Psicopata Enrustido. Mas desta vez não sou o causador do desaparecimento. Sou a vítima.

Primeiro pois simplesmente BLOQUEARAM o acesso a todas as páginas do Blogger no escritório. Acabou, babau. Mais um pouco e eles bloqueiam também o acesso ao Google.

Ok, mas eu poderia simplesmente enviar os textos de casa, certo?

Errado.

Infelizmente o computador de casa deu pane novamente. Das grossas. A coisa está feia. Estou escrevendo isso de um micro emprestado. Entrei para fazer apenas 3 coisinha e já vou sair:

1) Escrever essa desculpinha esfarrapada;

2) Configurar o envio de textos via email. Espero que desta maneira eu consiga resolver o problema;

3) Colocar o video abaixo, que encontrei sem querer e curti bastante (mesmo o narrador sendo daqueles cariocas da gema):



É isso. Vamos ver se a coisa funciona e eu consigo burlar o Homem mais uma vez.

PS1: O Meme Literário abaixo deu o que falar. Sigam os linques e vejam por si próprios.

PS2: Por conta deste bloqueio e apagão internético não vou conseguir ler os comentários, mas fiquem a vontade para fazê-los. Assim que der eu leio.

PS3: Tá caro. Muito caro ainda...

13 julho 2007

Meme Literário: Entrei de bico!


Descobrir que não é um cara muito popular pelo fato de NUNCA me convidarem para um meme literário é triste. Tudo bem, não sou o blogueiro mais assíduo do mundo, não escrevo diariamente, não atualizo o Psicopata Enrustido como deveria, essas coisas. Mas não é por essa razão que vocês da dita "blogosfera" (denominação tão cretina quanto o famigerado "internauta") precisam me ignorar tanto assim.

Não, não estou carente nem preciso comprar um cachorro. Me deixa!

O lance é depois que vi lá no Rosebud é o trenó e no Hedonismos dois pôstes com esse meme que pede que o blogueiro (aaaaaahhh!) liste seus 5 livros favoritos eu afiei meu ego literato e fiquei morrendo de vontade de ser chamado.

Não fui.

Então como o importante na vida é não passar vontade, listo aqui os tais livros. Atropelei mesmo e quero que se foda. Não sou bom em fazer essas coisas de listas e garanto que se fizer outra daqui a alguns meses os títulos irão variar. Não interessa. Listas não devem ser coisas cimentadas e nenhuma verdade é absoluta. Clássicos envelhecem e nascem todos os dias. Só basta procurá-los. E chega de papo.


Pergunte ao Pó - John Fante
Esqueçam o filme. Sério. Assistam mas esqueçam. Não há como rivalizar a experiência de acompanhar as primeiras desventuras de Arturo Bandini e Camilla Lopez em Bunker Hill se não for direto na fonte. Uma narrativa sincera, deliciosamente melancólica, com uma poesia implícita tão forte que é difícil não se emocionar. Fante é uma das muitas referências que usei para criar o Psicopata Enrustido, especialmente este pôste aqui. Leiam Fante. Não irão se arrepender.




Factotum - Charles Bukowski
Este foi o primeiro livro que li do Velho Safado e o que mais me marcou. A crônica rasgada, escatológica, quase pornográfica de Bukowski assusta numa primeira leitura, mas a minha recomendação é que você leia com a mente aberta, sem preconceitos. Por mais "mundo cão" que sejam as histórias de Henry Chinaski (alter ego de Bukowski) é possível enxergar ali uma mensagem até otimista, repleta de poética e, ironicamente, amor à vida. Especialmente seus excessos. Bukowski é foda. Ah, e neste caso o filme é animal.



O Jardim do Diabo - Luis Fernando Veríssimo
Já não considero os textos de Veríssimo a unanimidade que um dia considerei. Mas esta primeira incursão do cronista no mundo dos romances é uma obra prima. Humor ácido, metalinguagem e um ritmo delicioso fazem deste um dos poucos livros que volta e meia me pego relendo. Uma lição para escritores. Se precisar escolher apenas um livro do Veríssimo para ler, leia esse sem pensar duas vezes.






O Orador dos Mortos - Orson Scott Card
É estranho colocar uma continuação numa lista, mas este livro merece. Seqüência do já excelente Ender's Game (que aqui foi traduzido bizonhamente como O Jogo do Exterminador) ele narra as andanças de Andrew "Ender" Wiggin, o protagonista genocida-por-acaso do primeiro livro, cuja missão auto-infligida é espalhar a mensagem de paz das criaturas que ele ajudou a exterminar. Um libelo anti guerra como poucos. Curiosidade: o cenário da trama é uma colônia BRASILEIRA num planeta chamado Lusitânia. Ironia pouca é bobagem.



Matadouro 5 - Kurt Vonnegut
Este eu conheci completamente por acaso. Precisava ler e estava duro. Comprei o livro num Carrefour e paguei com vale alimentação. Juro. E nunca fiquei tão feliz por tê-lo feito. Vonnegut é um dos melhores satiristas que eu já li e este livro é a sua obra prima. Seu humor é tão ácido que você se sente até um pouco culpado por rir. Novamente um libelo anti guerra, mas narrado de uma maneira tão original que é preciso ler muito nas entrelinhas para conseguir compreender completamente. Altamente recomendável.



E como um meme não é apenas sobre responder ao desafio, seguem abaixo os convites para os próximos desafiados:

Camila Fernandes e o seu Demo Sentado Em Meu Ombro.
Cristina Lasaitis e a sua Sinfonia para Narciso.
Dóris Fleury, da Turma da Groselha.
Luciana Muniz e o seu The Shadow of the Moon.

E finalmente, para não dizerem que só escolhi mulheres:

Jean Canesqui e sua recém lançada Oficina do Diabo.

Lembrem-se, galera: tem que escrever a lista (devidamente justificada) e depois convidar outros 5 blogueiros.

Bom trabalho!

03 julho 2007

A Prova Fotográfica

"Faz logo essa PORRA de foto!"

A foto acima foi tirada durante a crise de dor narrada no pôste anterior. Reparem o sorriso forçado e com os dentes rilhados, além da tipóia improvisada e a qualidade do meu "analgésico". Ainda bem que eu estava entre amigos, ou então teria que passar a noite num abrigo de mendigos.

Mas não só de traumas foi feito o final de semana. Houve vários momentos inspirados, a maioria graças a uma mente fértil somados a um barril, como pode-se atestar pelas fotos abaixo:

Chaves Metaleiro?


Pulo ou não pulo?


Ganha um tapa quem NÃO sacar a referência.


E que venham os próximos, com braço contundido ou não.

02 julho 2007

Meu momento Tri-Lambda

Não me recordo qual dos filmes dos nerds tem essa cena (me ajudem!) mas acho que é em Os Nerds Saem de Férias, logo no começo, quando o personagem de Anthony Edwards (muitos anos antes de E.R.) diz que não ia viajar com a trupe pois estava com os dois braços quebrados após uma "jogada arriscada" durante uma partida de XADREZ!

Hilário, eu sei. E completamente improvável, certo?

Mais ou menos.

Este final de semana estavamos eu e a galera em um sítio em Itatiba, curtindo um monte quando, no final da tarde, durante uma prosaica partida de truco, eu distendi o braço esquerdo!

Não me perguntem como. Não sei também como consegui essa proeza. Só sei que de uma hora para outra eu estava urrando de dor. Coisa horrorosa de se ver. Saí atrás de algum analgésico qualquer, mas ninguém tinha nem uma mísera aspirina disponível. Em desespero fiz uma tipóia com um lençol (valeu, Ballico!) e parti para a solução medieval: vodka. Meia garrafa depois, com a dor ainda incomodando, surgiu a Ritinha com um comprimido de PROFLAM (relaxante muscular) não sei de onde. Minha única pergunta: "Pode misturar com álcool?". Ela disse que achava que sim. Foi o suficiente. Engoli o comprimido com a vodka mesmo.

O ministério da saúde adverte: Não faça isso em casa. Não seja idiota. Faça no seu vizinho.

Desnecessário comentar que alguns minutos depois eu já estava inutilizado, tal qual uma geléia vencida esquecida num fundo de armário. A dor passou, isso é certo, mas era impossível me distinguir de um bicho atropelado de beira de estrada.

Graças aos amigos consegui voltar são e salvo pra casa. Hoje a dor já diminuiu o suficiente para trabalhar (droga!) e até dirigir. Mas foi um final de viagem bastante trash, até mesmo para os meus padrões.

A boa notícia é que o final de semana gerou alguns videos hilários, que nos próximos dias pretendo editar e colocar no YouTube.

Fiquem ligados.

29 junho 2007

Nota de falecimento


Mais uma excelente iniciativa morre na praia da internet brasileira, vítima de inanição. O aglutinador de blogues NoMinimo fechou hoje definitivamente suas portas, para tristeza não só de seus colaboradores e leitores, mas também de todos aqueles que valorizam um conteúdo inteligente e de qualidade.

Durante os últimos anos o NoMinimo foi um porto seguro quando eu queria ler algo descompromissado, mas com algo a acrescentar, nem que fosse apenas um pequeno sorriso de canto de boca. Escritores e leitores encontravam nos excelentes textos de Sérgio Rodrigues motivos para enaltecer a literatura, dentro de seu espaço Todoprosa (citado por aqui diversas vezes). Cinéfilos que buscavam fontes pouco ortodoxas de informações sabiam que sempre podiam contar com a irreverência de Ricardo Calil no seu delicioso Olha Só. Malandros e boêmios se encontravam nas divertidas crônicas de Xico Sá dentro do Ponte Aérea/SP. Isso sem contar o passeio pelas bizarrices desencavadas por Luiz Antonio Ryff no Nonsense ou a relevância improvável de Daniel Galera dentro do Jogatina. Tinha outros, mas me alongo desnecessariamente.

É triste ver um espaço com tanto a oferecer ao faminto internauta brasileiro desaparecer por conta de um motivo tão fútil. Quero dizer, fútil para nós, leitores abandonados, pois todos sabemos que sem dinheiro não se vive, e mesmo o mais intelectual dos intelectuais sabe que suas idéias só valerão alguma coisa caso coloquem comida na mesa. Não me julgue mesquinho. É difícil ser inteligente e sagaz com o estômago interrompendo cada raciocínio.

Ainda é uma grande barreira a ser quebrada esse lance da capitalização do conteúdo. Não há uma saída óbvia. Até mesmo os maiores especialistas divergem a respeito. Produzir conteúdo de qualidade é caro e trabalhoso. Quem vai pagar essa conta? Com certeza não serão anúncios do Google. Isso é dinheiro de pinga. A gente não quer só comida, como diria Arnaldo Antunes. Se um portal com mais de 3 milhões de leitores mensais (números deles) não consegue, qual o horizonte para blogueiros independentes como nós?

É difícil ter esperanças com uma notícia destas. Mas ao mesmo tempo que enxugamos as lágrimas pelo falecido vemos uma outra notícia que reacende a chama que pensávamos ter sido há muito apagada. Há esperança sim, caros leitores. Só temos que procurar com mais afinco.

Infelizmente, não será mais dentro do NoMinimo.

Descansa em paz, véio!

P.S.: Alguns dos blogueiros decidiram continuar seus textos por conta própria em blogues pessoais (e não-remunerados). A maioria ainda não está no ar, mas vale a pena se informar quando estiverem.

21 junho 2007

Dois pelo preço de um!


Barganha!

Tem texto novo lá no blogue do Psicopata Enrustido.

E, coincidentemente, hoje também é o dia que sai mais um texto meu no blogue do Novas Visões de São Paulo.

Mas atenção:

Não aceito devoluções.

(Essa é para os que reclamaram que ando escrevendo pouco. Unf!)

19 junho 2007

Elementar, meu asno Watson!

Olhem só que interessante.

Estava eu navegando tranqüilamente pelo blogue da Débora Fortes, no Portal Info Exame (para quem não se lembra, além de escritor sou analista de sistemas) quando me deparo com a interessante notícia: Um carregador universal de baterias sem fios!

Legal a idéia, né? Eu também gostei. E fiquei com a mesma pulga atrás da orelha que a Débora: como esse treco funciona? Sou assim mesmo. Quando não entendo alguma coisa fico meio obcecado pelo tema até descobrir.

O mais engraçado foi que a resposta veio logo em seguida, totalmente sem querer. Tá lá no MeioBit, num pôste do Ricardo Bicalho: WiTricity - transmissão de energia sem fio.


Tá, um é o anúncio de um produto de uma empresa. O outro é o anúncio de uma pesquisa realizada pelo MIT. Pode até ser que não haja nenhum tipo de correlação entre um e outro e tudo não passe de uma viagem de minha cabeça insone. Mas que a coincidência é grande demais para não ser citada, isso lá é.

E agora, de volta a nossa programação habitual.

04 junho 2007

Vacas Anoréxicas

Não, este pôste não é sobre o mundo féxion ou mesmo uma crítica aos hábitos alimentares das somalis desfilantes. Não, nada disso. É outra coisa. Mas, pra variar, me adianto.

Sabe aquele tipo de encontro que vez por outra aparece nos seriados e shows de "realidade" chamado speed dating? Claro que sabe. Mas vou aceitar seu fingimento e vou explicar. Speed dating é uma estratégia cretina que alguns bares estadunidenses inventaram para atrair solteiros involuntariamente inveterados. O esquema é o seguinte: pega-se um determinado número de encalh... solteiras e um igual número de punhet... solteiros. Digamos 15 potenciais casais. Daí colocamos as desesper... solteiras sentadas e distribuímos fichinhas de avaliação a todos. Cada perded... solteiro terá então três minutos per capita para pavonear seus minguados dotes às mocré... solteiras. Ao final de um circuito completo as fichas são recolhidas e comparadas. Caso alguma afinidade seja detectada um novo encontro é agendado (que, eu espero, tenha mais do que 3 minutos). É isso. Eu sei, é imbecil demais para ser levado a sério. Não culpe o mensageiro.

Agora alguém por favor me explique esta notícia que saiu no Yahoo! News (acesso livre, em inglês) que dá conta que por lá a nova onda é utilizar esse formato "inovador" não apenas para desencalhar sociopatas crônicos, mas também como forma de apresentar idéias de romances para editoras! Sim, você leu certo. Troque "solteiras" por "editoras" e "solteiros" por "escritores" no parágrafo acima e você terá um Speed Dating Literário!

Agora, convenhamos! Se já é muito difícil (para não dizer impossível) conhecer uma pessoa em apenas três minutos de exposição, o que se dirá de uma obra! Isso sem contar a clara desvantagem da modalidade literária em termos de comprometimento. Pois seria mais algo como um speed engaging ("noivado relâmpago", em tradução livre), já que no caso dos pretensos namorados nada impede que já no segundo encontro ambos percebam que aqueles três minutos foram na verdade uma propaganda enganosa e nunca mais se encontrem. Já em sua contraparte "literária" é como se já se firmasse um pré-contrato. E com certeza uma recusa posterior sairá bem mais cara do que o custo de um cinema e (quiçá!) um motelzinho.

O problema é que o negócio literário não anda bom para ninguém (com exceção das livrarias, claro). Editores e escritores ainda não encontraram uma solução para suprir a demanda exorbitante de lançamentos. Há milhares de escritores inéditos tentando ver seus trabalhos publicados. Os editores reclamam da falta de qualidade dos originais. Os escritores reclamam do corporativismo das editoras. Estas se defendem dizendo que o custo de produção é muito alto e o retorno arriscado. Os escritores esperneiam, choram, fazem bico. As livrarias dão risadas obesas. E com isso nós, as vacas literárias, morremos de inanição (viu como consegui chegar na analogia pretendida?).

Que algo precisa ser feito para melhorar esta situação isso é claro. Mas, da mesma maneira que tenho dúvidas da eficácia dos tais speed datings na construção de relacionamentos, duvido que a versão literária algum dia nos proporcione a ascensão de um novo clássico da literatura. Pode parecer um comentário cínico, mas...

Bom, é cínico mesmo.

"Quer publicar seu livro? Depende. Você engole?"

29 maio 2007

Prêmio de Consolação à Fidelidade

Para compensar minha ausência para meus poucos (mas queridos) leitores, segue abaixo uma maneira simples de descontar as frustrações, principalmente quando o alvo é assim tão específico:


10 maio 2007

After After Darwin

Ontem fui junto com a Cristina Lasaitis assistir à leitura da peça After Darwin, que estreará em breve, junto com a exposição de mesmo tema que será inaugurada no MASP.

A peça realmente promete. Didática e divertida, usando e abusando de metalinguagens e de atuações por vezes um pouco over, mas nada que estrague. O mais interessante é que o texto instiga discussões acaloradas e diversas, tais como os limites da ética, da intervenção teológica em contraponto com a visão científica, do fatores socio-culturais e além. Quando estrear, não percam.

O chato aconteceu depois. Fui idiota e muquirana o suficiente para deixar meu carro na rua. Todos que moram nesta cidade desgraçada sabem que deixar o carro na região da Paulista é no mínimo certeza de dor de cabeça. Claro, eu não fugi do clichê. Assim que entrei no carro notei que algo estava muito errado. Porta-luvas escancarado, todo seu conteúdo espalhado pelo carro, os bancos bi-partidos deitados, as tranqueiras do porta-malas espalhadas, coisa e tal. Estranhei que o rádio ainda estava lá (eu tinha levado a frente comigo). Liguei o carro e saí dali. Só fui fazer um inventário preciso mais tarde. E, para minha total e completa surpresa, descobri que as únicas coisas que estavam faltando no carro eram os dois exemplares da Coleção Necrópole que eu sempre carrego comigo para casos de necessidade (tipo alguém não acreditar que sou escritor).

Então você, ladrãozinho mequetrefe desta cidade maldita, caso um dia chegue até este meu blogue, saiba que tenho esperanças que você ao menos tenha roubado estes livros pois se interessou pelo conteúdo, e não com o intuito de trocar por pedras numa boca do lixo qualquer. Não tenho ilusões que minha obra irá despertar uma reação catártica ou uma epifania qualquer em sua cabeça limítrofe, mas torço veementemente que estes sejam apenas os primeiros de muitos livros que você lerá, e que este hábito se entranhará em sua rotina diária e transformará sua vida de tal maneira que você nunca mais necessitará arrombar e invadir a propriedade alheia atrás de alguma coisa qualquer que, espero, servirá apenas para aplacar algum tipo de desespero primal.

E já considere-se convidado para o lançamento de meus próximos livros. Pode ir. Faço questão de te dar um livro autografado DE PRESENTE. Não é armadilha, não. É sério.

Te espero lá.

09 maio 2007

Papa-gaiadas

Em homenagem à chegada do Nazi-Papa em terras tupiniquins, republico aqui um texto que escrevi na ocasião de sua eleição.

Ah, caso ninguém se lembre (faz tempo...) o nome de batismo de Palpati... quero dizer, Bento XVI é Joseph Ratzinger.

Dito isso, o texto:

O Conclave

© Alexandre Heredia

O velho cardeal recebeu o último voto. Sentia as juntas doloridas, mas sabia que precisava terminar o serviço. O mundo, afinal de contas, estava aguardando por um novo Papa. Leu a cédula, e finalizou a votação.

- Que Sua Eminência, o Cardeal da Inglaterra, se apresente.

Um surpreso cardeal inglês se ergueu. Chegou a ser empurrado em direção ao púlpito. Claramente aquela não era uma posição desejada, mas infelizmente era necessária, principalmente naquele período negro para a fé cristã que era esse início de milênio. Além disso, o próximo Papa teria como concorrente forte a imagem carismática do antecessor. Era como ser o último a se apresentar em um Concurso de Talentos, logo depois de um mágico. Nunca iria agradar.

O inglês sentou-se na cadeira em frente ao púlpito. Um bispo cansado aproximou-se. Em suas mãos, sobre uma almofada de veludo, o Chapéu. Se assemelhava a um chapéu de Papa, mas era velho e gasto. Também era a última prova.

O chapéu foi colocado com reverência sobre a cabeça do candidato. Um silêncio sepulcral se abateu por toda Capela Sistina, quebrado apenas pela tosse discreta de algum cardeal. Passaram-se um, dois minutos e nada. Até que finalmente ouviu-se um murmúrio. O chapéu tremeu de leve ao ser finalmente possuído pelo Espírito Santo. Faltava apenas uma coisa para que o novo Papa fosse escolhido. Todos, indiscriminadamente, aguçaram seus ouvidos.

- Sonserina! - gritou o chapéu. Vários se assustaram com o tom imperativo, mas logo em seguida alguns chegaram a rir.

O velho cardeal que presidia a votação desabou na cadeira. Com um gesto ordenou que o capelão entrasse e pediu-lhe que acendesse a fumaça preta. Em seguida, pediu aos presentes que iniciassem uma nova votação.

Os procedimentos se repetiram. Os votos foram escritos, recolhidos e contados. Novamente, o velho cardeal se dirigiu aos presentes.

- Que Sua Eminência, o Cardeal do Brasil, se apresente.

Desta vez o cardeal eleito levantou-se rapidamente. Um sorriso estúpido estampava seu rosto, mas era algo que indubitavelmente trazia simpatia. E simpatia, pensou o velho cardeal, era algo que a Santa Sé precisava nestes tempos conflituosos.

O cardeal brasileiro sentou-se, e novamente o chapéu foi colocado. Novo silêncio, nova expectativa, até que, de repente, o chapéu começo a murmurar:

- Paaaaaaa...

O velho cardeal suspirou. Só mais uma sílaba igual a essa, pensou, e o trabalho estava feito. Era visível na expressão de todos a mesma esperança. Ninguém lá era mais jovem, precisavam descansar, voltar a sua rotina, e aquele conclave estava demorando mais que o necessário. Mas precisavam ter certeza.

- Paaaaaaa... - continuou o chapéu, até que, finalmente – Paaaaaaamonha! Paaaaamonha! Pamonha de Piracicaba! É o puro creme do milho...

Desta vez ninguém entendeu nada. Que versos estranhos eram aqueles? Só compreenderam que não era um sinal de divindade quando o próprio cardeal brasileiro retirou o chapéu e voltou ao seu lugar, um pouco encabulado.

- Isso não está funcionando – declarou o velho cardeal, já irritado. - Este chapéu está com problemas. Sugiro que não o usemos mais. Ao invés disso, oremos para que o Espírito Santo nos ilumine e nos dê um sinal.

Todos aprovaram a sugestão. Aquilo estava realmente cansando. Simultaneamente eles fecharam os olhos, baixaram a cabeça e juntaram as mãos. Oraram em silêncio, os ouvidos atentos a qualquer distúrbio que pudesse indicar um sinal de Deus.

Subitamente, o salão da capela foi inundado por notas musicais. A prece parou, todos olhando em volta, meio embasbacados, pois não viram ninguém sentado na banqueta do imenso órgão. Mesmo assim o ar era expelido por seus tubos em notas claras. Em seguida, uma voz doce e profunda tomou o ambiente.

“And now, the end is near;
And so I face the final curtain.
My friend, I’ll say it clear,
I’ll state my case, of which I’m certain.“¹

Alvoroço. Estaria o conclave sendo visitado por anjos? Seria esse o sinal que todos esperavam?

“Regrets, I’ve had a few;
But then again, too few to mention.
I did what I had to do
And saw it through without exeption.“²

Não havia mais como manter a ordem. A voz, antes um murmúrio distante, agora utilizava a concha acústica da capela em sua plenitude. Todos, sem exceção, procuravam a fonte daquela voz misteriosa.

“Yes, there were times, I’m sure you knew
When I bit off more than I could chew.
But through it all, when there was doubt,
I ate it up and spit it out.
I faced it all and I stood tall;
And did it my way.”³

Sem ser convidado, um rato enorme escalou a mesa, parando sobre as patas traseira na frente do velho cardeal. A voz saía potente por entre seus dentes protuberantes, mais forte do que seus pequenos pulmões poderiam suportar, mas sem dúvida era ele o cantor daqueles versos.

Foi o cardeal americano que finalmente elucidou o mistério. Não que fosse uma explicação muito convincente, mas sem dúvida respondia a mais de uma dúvida:

- Look! It's a rat singer! - e repetiu - A Rat Singer!

Os versos terminaram imediatamente, assim como os sons do órgão. Antes que os últimos ecos se dissipassem o rato fugiu, desaparecendo por uma fenda no mármore. O silêncio voltou à capela.

- Habemos Papam – declarou o velho cardeal, chamando com um gesto impaciente o cardeal alemão. Iniciou uma prece, mas no fundo ficou o gosto amargo da impressão que, por mais que a questão tivesse sido resolvida, uma coisa era bastante clara:

A infâmia estava de volta à Igreja.


¹ “E agora, o fim está próximo; E então eu encaro a cortina final. Meu amigo, eu direi isso claramente, Apresentarei meu caso, do qual estou certo.“

² “Arrependimentos, eu tenho alguns; Mas de novo, muito poucos a mencionar. Eu fiz o que tinha de fazer, E perseverei sem exceção.”

³“Sim, houve um tempo, Tenho certeza que você sabe; Quando eu mordi muito mais do que poderia mastigar. Mas mesmo assim, quando havia dúvida, eu engoli e cuspi. Eu encarei, e permaneci de pé. E fiz isso da minha maneira.”
(Trechos de “My Way”, de Frank Sinatra)